I
Ajoelho-me as tuas margens.
Arrasto-me. Arrasada, ergo os
olhos para tuas encostas.
Tuas intangíveis escarpas.
Como alcançar-te no ponto exato,
onde te perdi?
Muralhas.Mulheres.
Outras mãos deslizando sobre tua
pele.
Escalpo. Florete. Mandarim.
Um olho cego desnorteia-me nessa
procura obscura.
Florestas. Tramas. Ramas.
Teus rastros deixados em minhas
paredes uterinas.
Hieróglifos.
Caracteres de uma escritura
sagrada.
Tento decodificar os arabescos
indecifráveis,
mas perdi o mapa do seu
peito.
II
Eu tinha a bíblia do teu amor,
aberta, sobre a minha penteadeira,
Mas não a li.
Escovas. Cabelos. Arlequins.
Experimento novas e antigas
máscaras.
Vejo-me no espelho e não
reencontro mais o meu rosto.
Mestre. Mastro. Maestro.
Tua deixaste de reger a orquestra
de sinos de ventos,
que cantarolavam em mim.
Nas insones noites, feitas de
longas despedidas
e ausências.
Abandonaste a casa que te serviu
de abrigo,
na escuridão dos teus dias mais
pérfidos.
Ao fechar as portas, com
ferrolhos e chaves inquebrantáveis,
aprisionastes para sempre, essa
desesperada inquilina do amor.

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