quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A Inquilina do Amor




I
Ajoelho-me as tuas margens.
Arrasto-me. Arrasada, ergo os olhos para tuas encostas.
Tuas intangíveis escarpas.
Como alcançar-te no ponto exato, onde te perdi?
Muralhas.Mulheres. 
Outras mãos deslizando sobre tua pele.
Escalpo. Florete. Mandarim.
Um olho cego desnorteia-me nessa procura obscura.

Florestas. Tramas. Ramas.

Teus rastros deixados em minhas paredes uterinas.
Hieróglifos. 
Caracteres de uma escritura sagrada. 
Tento decodificar os arabescos indecifráveis, 
mas perdi o mapa do seu peito. 


II
Eu tinha a bíblia do teu amor, aberta, sobre a minha penteadeira,
Mas não a li.
Escovas. Cabelos. Arlequins.
Experimento novas e antigas máscaras.
Vejo-me no espelho e não reencontro mais o meu rosto.
Mestre. Mastro. Maestro.
Tua deixaste de reger a orquestra de sinos de ventos,
que cantarolavam em mim.
Nas insones noites, feitas de longas despedidas
e ausências.
Abandonaste a casa que te serviu de abrigo,
na escuridão dos teus dias mais pérfidos.
Ao fechar as portas, com ferrolhos e chaves inquebrantáveis,
aprisionastes para sempre, essa desesperada inquilina do amor.


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