Abro a caixa
de Pandora,
e, nela, não
encontro,
senão pérolas,
tão mortas,
que nem aos
porcos as atirarei,
nesta manhã
ensolarada de maio.
Não me resta
nem mesmo um álibi.
Dobrado como
bilhete esquecido,
escrito em um guardanapo qualquer...
O Japão é tão
longe daqui,
e as heras que
crescem por lá,
não crescem no meu jardim de inverno.
O chá preto
esfria na xícara
e o cigarro
apagado, ainda guarda as marcas
dos teus
lábios grossos.
Morrer é tão
doce e cruel,
que não
cometerei haraquiri,
por um crime que não cometi.
Quero, sim,
cortar os pulsos,
docemente,
e deixar o meu
sangue escorrer,
pelas frestas
do meu corpo:
abertas para a
tua passagem,
ainda que
secretas.
Imagem: William Whitaker
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